9/30/2009












A minha leitura é de almas que se escondem, até delas próprias.
Por isso queria ter o poder de salvar pessoas: salvá-las de si mesmas! Gostaria de abraçá-las, um abraço terno e longo, dizer-lhes que não existem culpados... Aceitem apenas suas histórias: que nunca são demasiadamente tristes, tão pouco, demasiadamente alegres!

Como queria eu poder resolver todos os problemas:
facilitar todas as ilusões, para mostrar simplesmente que se as subtrairmos, somos tão iguais. Viver, o que é senão viver?
A soma e a falta...

As ilusões são doces, chocolates, bolas de sorvete! Vive-se para comer ou para sonhar? Vive-se para sofrer ou para superar? Se a vida é a falta, a felicidade é surreal. O grande desafio é desaprender para reaprender a liberdade do espírito, sem preconceitos e paradigmas, livre!

O quê somos então?

Talvez, persistência.

4/27/2009



Existem momentos em que vou sem saber para onde,
que falo sem saber o quê,
que vou morrendo sem perceber.

Existem momentos que dou sem nada esperar
e que espero sem nada obter,
que choro sem ter razão,
e quando tenho razão, não tenho um por quê.

Existem momentos que acredito sem ter provas
e que provo sem ter motivos.
Que vou, que fico, me deixo, me levo,
mente e coração aflitos.


11/07/2008


Sou uma gota de chuva que despencou do céu! De lá do alto, bem alto, fui caindo até tocar numa árvore! Do alto desta árvore, fui escorregando folha por folha, até tocar a terra! Então viajei mais fundo, nas profundezas...Até chegar num mundo feito de mim, feito de gotas, de muitas gotas!

Já não me sentia mais apenas uma gota, senti-me estranha... Perdi a minha idêntidade neste lago substerrâneo e escuro. Como num estado de choque, paralisei-me! Nesta imersão, percebi a minha existência: não diria insignificante, porque eu era uma partícula de algo maior.

Como continuar sendo uma gota, invísível aos olhos humanos, sem provar a minha existência?

Preferi meditar.



Gosto de tranças: de cabelos, de cordas, de novelos... Tranças que se enroscam entre si, e juntas, se fortalecem e perpetuam... Tranças, danças ao vento, andanças, mudanças, tranças alianças, se apertam e se amarram, se torturam e se amam, como os homens!
O meu pensamento é livre: acorda livre, caminha livre, sem fronteiras.

Então a liberdade hipócrita das sociedades hipócritas que se dizem livres, morrem em si.

Somente o meu pensamento livre sobrevive a mim:
me diz e contradiz, concorda e discorda... Terminará quando eu terminarei: nem nos sonhos, só na morte!

9/03/2008

Sobre o respeito...










Mais do que ser amados, queremos ser respeitados. O respeito que damos aos outros, normalmente é mesmo que recebemos. É uma postura! Respeito é algo precioso e deve ser sempre cultivado, para garantir qualidade nas relações: numa família, num casamento, numa amizade, num namoro...
Nos muitos anos que se levam para construir relações, respeitar e ser respeitado é sempre um desafio, ao mesmo tempo, um caminho de satisfação.



4/09/2008

Cresci no capitalismo do pobre, que é muito mais selvagem que o capitalismo do rico. Fui muitas vezes engolida, tragada pela força do trabalho, da exploração, do instinto à sobrevivência. Como fui forte! Como resisti a dor (da humilhação!). Resisti sim, e mantive o meu amor próprio: e fui mais forte e mais selvagem que o próprio capitalismo! Este, derrubou-me muitas vezes: mas o meu amor próprio me esbofeteou, me ergueu e me disse que eu era melhor que tudo isso!

É, devo unicamente ao amor próprio a minha vitória...

Mesmo sabendo que venci: também sei que perdi! Por isso, não há comemoração. Aprendi apenas a aceitar que o tempo, a história e as perdas são fatos da vida: e que não existe uma segunda chance...

...porque todas as chances são e serão sempre a primeira, mesmo que seja só para recomeçar.

Munique, 03.02.08

Escrever é um exercício, e o pratico não somente
na escrita de palavras, mas na interpretação do
que se passa na minha própria alma.

O que escrevo nada tem de importante,
que não seja eu mesma - e numa quase absoluta
solidão e caos - procuro por caminhos que me levem
ao encontro de certo paraíso, qualquer um que seja...

Os caminhos tornam-se becos, labirintos,
trilhas tortuosas... Nada carrego comigo,
que não seja somente o céu: o céu azul,
o céu nublado, o céu escuro, as tempestades!

De repente: paz!

Inesperadamente, encontro-me com Deus!

Munique, 02.04.08

4/08/2008

Vivo entrelaçada nos segundos dos minutos das horas
dos dias das semanas dos meses dos anos...
Vivo entrelaçada entre a ilusão e o real,
entre a noite e o dia, entre a morte e a vida.

Apunhalo-me! Então sangro... e curo a minha própria ferida,
com meu próprio remédio:

a coragem!


Munique, 07.03.08

1/29/2008

O que me pertence?


A brisa leva as folhas de um lugar ao outro, e é sempre assim nesta época. Enquanto caminho pelo parque, observo a natureza tão bela deste lugar: águas límpidas, verde e céu azul se completam, flores de todas as cores! Pássaros, patos, esquilos, cães felizes e seus donos (talvez felizes...) É uma natureza lindíssima, mas que não me pertence. Consigo apreciá-la, como aprecio um quadro, uma fotografia, mas dentro de mim, sei, que não pertenço a este lugar, e que este lugar não me pertence. Pergunto então: o que me pertence?
O que já me pertenceu não me pertence mais. O que passou, ficou para trás: atrás de uma montanha, de um rio, de um campo, de um oceano... do infinito que caminha na direção contrária dos meus passos. O que me pertence? Se esta natureza tão bela não me pertence, qual natureza é a minha então?Talvez o que me pertença seja só a minha alma... Talvez o que é meu não esteja escrito, nunca foi dito! O meu reflexo não me pertence, tal como a brisa que leva as folhas de um lugar ao outro... Sei o que não me pertence, por certo, sei. Sei também o que nunca me pertenceu, só não sei o que me pertence (se nem meus filhos me pertencem!). Nem esse corpo de mulher que se diz meu, nem o ar que respiro, nem a água que bebo, nem os raios de sol! Nem o dia, nem a noite, nem meu homem: absolutamente...nada! Existir talvez seja esse “não pertencer”. É assim, um desencontro de mim mesma, à procura de um sentido para a minha própria existência. O que me pertence?
As horas ignoram o meu desespero, os dias vão-se... anos, o que então, me pertence? Pertencer ou não é como “ser ou não ser”, e até Shakespeare morreu sem resolver tal questão!

Munique, 11.01.2008

O que me pertence?

A brisa leva as folhas de um lugar ao outro, e é sempre assim nesta época. Enquanto caminho pelo parque, observo a natureza tão bela deste lugar: águas límpidas, verde e céu azul se completam, flores de todas as cores! Pássaros, patos, esquilos, cães felizes e seus donos (talvez felizes...) É uma natureza lindíssima, mas que não me pertence. Consigo apreciá-la, como aprecio um quadro, uma fotografia, mas dentro de mim, sei, que não pertenço a este lugar, e que este lugar não me pertence.
Pergunto então: o que me pertence?
O que já me pertenceu não me pertence mais. O que passou, ficou para trás: atrás de uma montanha, de um rio, de um campo, de um oceano... do infinito que caminha na direção contrária dos meus passos.
O que me pertence?
Se esta natureza tão bela não me pertence, qual natureza é a minha então?Talvez o que me pertença seja só a minha alma... Talvez o que é meu não esteja escrito, nunca foi dito! O meu reflexo não me pertence, tal como a brisa que leva as folhas de um lugar ao outro...
Sei o que não me pertence, por certo, sei. Sei também o que nunca me pertenceu, só não sei o que me pertence (se nem meus filhos me pertencem!). Nem esse corpo de mulher que se diz meu, nem o ar que respiro, que a água que bebo, nem os raios de sol! Nem o dia, nem a noite, nem meu homem: absolutamente...nada! Existir talvez seja esse “não pertencer”. É assim, um desencontro de mim mesma, à procura de um sentido para a minha própria existência.
O que me pertence?
As horas ignoram o meu desespero, os dias vão-se... anos, o que então, me pertence?
Pertencer ou não é como “ser ou não ser”, e até Shakespeare morreu sem resolver tal questão!

Munique, 11.01.2008

7/06/2007


Algumas vezes, dou muitas risadas, gargalhadas, até encontrar o meu fim. E quando chego lá, neste fim, tudo perde a graça, e sinto uma vontade louca de chorar... Como explicar que certa alegria me leva à tristeza, senão saber que a própria tristeza se esconde, sorrateiramente, em meu fim!

(Munique, 22/06/2007)

"O bons deuses prenderam os maus, dentro das montanhas.
Depois, as cobriu de neve, para trancá-los lá dentro!
Se um dia o gelo dessas montanhas derreter, será o fim dos tempos!"

Xamã Andino desconhecido (entre Peru e Bolívia).

5/04/2007

Muitas vezes, na vida, existe um caminho, não dois.
E não há atalhos neste caminho: existe somente um caminho,
não outro, então o melhor é se encher de coragem e seguir.
Não se conhece o que há neste caminho, nem a sua direção...
Porém, se não há opção: é ficar or ir, na busca do que está por vir!

11/11/2006

Crônica "O tempo"...


...ganhei, com esta crônica, a segunda colocação no
I Concurso Literário Brasileiros-na-Alemanha.com

O Tempo

As roupas balançam no varal...
Todos os dias num mesmo movimento, na mesmice...
Todos os dias são iguais e monótonos no varal!
Tempo!?! Então lembrei de quando o tempo me sobrava, quando as noites e os dias eram longos, intermináveis, mas não havia um amor. As noites eram frias e tristes, solitárias...
Até que então esse amor surgiu! Dividiu comigo a cama, o corpo, as manhãs. Trouxe-me vida, sorrisos e abraços, paixão e calor.

O tempo? Passou a ser compartilhado, lado-a-lado, tempo e amor.
Percebi então, que faltava o preenchimento do espaço entre o tempo e o amor, foi assim que vieram os filhos...

Os filhos trouxeram mais vida, mais movimento, mais sentido!
Fizeram de cada dia um novo dia, e transformaram o sentido do tempo e do amor. Hoje questiono o tempo que me falta...
Talvez o tempo livre faça da existência um mero vazio, para onde os pensamentos viajam desnecessariamente, onde perde-se tempo...ou melhor, o tempo se perde.

As roupas continuam balançando no varal, num mesmo movimento, na mesmice de sempre! Porém a minha vida não é mais a mesma, meu tempo não é mais o mesmo...Já não tenho somente um amor, tenho vários!

Compreendi então que o tempo por si mesmo é inerte, aquele que todos os dias balança as roupas no varal. Em qualquer lugar do mundo, a vida se transforma não por causa do tempo, mas pelos nossos desejos de mudança, para dar sentido à existência, a continuidade e a coexistência.

9/17/2006

Velhice?!? Quem, eu?!?


Envelheço desesperadamente...

Todos os dias vejo-me outra: outra face, outro olhar,
outro sorriso, outro penteado, outro corpo, outro cansaço!

Tento ignorar, fingir que não é comigo, mas só eu sei que
minha pele já não carrega o frescor e a beleza da juventude!

Quem se desespera? Eu ou a velhice que vem a mim?
Sim, ela também se desespera à espera da minha entrega.
Não, ainda não!

Aonde estão todos os meus cremes, minhas revistas?
Cadê os endereços dos spas e esteticistas?
Os cirurgiões plásticos?

Desesperadamente procuro travar o relógio...
Que dia é hoje? Qual o ano que estamos?
Não sei e não quero saber!

Não perguntem a minha idade: sou mulher madura!

Aonde estão os meus cremes? Todos os meus cremes?

9/08/2006

Dança sem ventre



Experimentou ficar de barriga de fora,
num jeans sem cintura.
Experimentei tesão.

Um dançar único,
com jeito de trepada.
Tivesse o ventre nú seria perfeito.

No meio da dança,
no meio de todos,
ajoelhar-me e beijar seu umbigo.

(Escrito por Rotsen Alves Pereira em 1999
e dedicado à Mulher-in-visível).

9/02/2006

Rio ISAR...



Meu nome completo, de nascida, tem as iniciais de um rio da Alemanha chamado ISAR.

Ainda pequena, na infância, o meu livro de banheiro preferido era o Atlas (diga-se de passagem, sempre gostei muito de mapas). Lá, o nome desse rio chamava sempre a minha atenção: ISAR! Uma linhazinha azul, perdida no mapa, tão pequena, mas estava lá as minhas iniciais: ISAR.

Anos mais tarde (mais de 20 anos mais tarde), vim a viver e conviver com o ISAR (lado-a-lado, todos os dias). Sei que existe uma ligação: foi um rio predestinado ao meu encontro!

Eu e o rio,
eu como o rio,
eu quando rio,
eu força do rio,
eu ISAR,
rio ISAR.

7/30/2006

Raul Seixas, único!



Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar,
não não não não
Há uma voz que canta,
uma voz que dança,
uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

...TENTE! TENTE OUTRA VEZ! TENTE SEMPRE OUTRA VEZ!...

Powered by http://www.raulseixas.com.br

6/26/2006



Existem cores combinadas
tão perfeitamente na natureza,
que não dá para duvidar
da existência de Deus.